3.7.09

Images

Do outro lado da janela crianças brincavam despreocupadas, combatendo as leis da gravidade e soltando gargalhadas terrivelmente inocentes e verdadeiras. Sentada no parapeito da minha janela, observava todo este espectáculo de vida, tão real e porém tão distante e inalcançável. As folhas das árvores no parque lá fora bruxuleavam, fazendo as sombras dançar descoordenadamente. Fechei os olhos lentamente, tentando desesperadamente reter aquela imagem pacífica na minha cabeça. Outras imagens se misturavam, imagens de momentos mais felizes, de sítios coloridos pela felicidade e iluminados pela esperança.

Á medida que o tempo passava, cada vez mais eu me apercebia que a felicidade, o doce som da despreocupação, as palavras pronunciadas irreflectidamente… nada disso era perpétuo, muito pelo contrário, cada vez se desvanecia mais. Á medida que o tempo passava, o sol agora quase encoberto pelo horizonte alaranjado, as crianças a trocar despedidas, agora também elas mais sérias, o dia a ficar calmo, escuro; tudo se desvanecia: a alegria, a felicidade, a inocência. Tomamos as coisas mais banais da nossa infância por adquiridas, e sem darmos por isso elas fogem, abandonam-nos, deixam-nos sem esperança de as reencontrar num inferno frio e solitário.

Abri os olhos e observei a noite a acomodar-se, fria, o vento hostil, o parque deserto, e eu sentada na pedra fria da minha janela de sonhos, agarrando imagens da felicidade que julgava nunca mais conseguir alcançar, como se fossem uma arma contra os pesadelos, uma bóia no oceano negro.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009; 23:04

Para este eu usei como soundtrack Shooting Star dos Air Traffic

21.3.09

23.1.09

Um Ano Depois

Parada na rua, congelando com o cortante vento e a chuva gélida, as pessoas passando rapidamente à minha volta, fugindo ao tempo, ao atmosférico e ao do relógio, não me vêem.
Parada, olho à volta, e não sei mais onde estou.
Perdi-me. Entre hoje e há um ano atrás, perdi-me.
Neste momento sei o que quero, mas o medo de falhar é tão grande que começo a duvidar que tenha coragem de seguir o meu próprio sonho - aquele que tão desesperadamente procurei, aquele que sempre guardei dentro de mim mas nunca tinha dado a devida importância. Será possível que a única coisa que me mantinha a lutar pela vida, a descoberta do sonho, aquele que me faria eternamente feliz, eu não tenho coragem? Sinceramente, já não sei quem sou. Perdi as forças para lutar esta batalha idiota...
Tudo o que vivi durante este ano... Não sei o que dizer. Não sei o que fazer. Não sei o que pensar.
Será que vou ser capaz de fazer as malas e partir em direcção a vida que quero? Ou vou fazer como sempre? Sentar-me no topo da minha currentemente vida confortável e vê-la desvanecer-se em melancolia e desespero?...


25.5.08

A Ti AVô - 5 anos

A ti avô porque és especial. És especial porque sim. Não tenho razão. Mas… é preciso? Não faz mal, tenho muitas para te dar. Podemos começar com a mais precária de todas… o facto de me teres educado. Não é a melhor claro, mas parece-me a mais plausível para quem não nos conheceu. Eras tu que me levavas a ver os pombos, lembraste? Era tão divertido! Levaste-me a andar de metro pela primeira vez, e foi aí que me apaixonei por esse bichinho do subsolo que tu tão bem conhecias. Lembro-me de me levares a passear ao Carrefour com a avó. Era um acto bastante simples, mas sabes como eu adorava aqueles passeios. Afinal eram raros e divertia-me sempre imenso. Lembro-me de ás vezes estar em casa com a avó. Ela estava a fazer o almoço e eu estava á tua espera. Fiquei preocupada pois nunca mais chegavas e já estava a ficar zangada, mas depois apareceste com um sorriso e um embrulho nas mãos. Tinha comprado aquilo a que a minha avó costumava chamar de “aparelhómetro inútil”, mas que apenas se resumia num aparelho electrónico. E tudo isto porque me amavas… Porque mais ninguém me amava como tu. Era rejeitada, e ao habituar-me ao teu amor não reparei que era como uma droga que provoca uma espécie de vício leve. Pois quando voaste em direcção ao céu e me deixaste eu senti parte do meu espiríto voar contigo também. Parte do meu espiríto que nunca mais voltou, mas que sempre tenta voltar nas alturas mais difíceis. Sei que estás por trás dessa tentativa de regresso, pois sinto o teu perfume novamente, parece que revejo o teu sorriso no meu próprio rosto… Oh! Só Deus sabe a falta que me fazes nessas alturas difíceis. Ás vezes ponho-me a pensar no que teria sido a vida se estivesses aqui comigo… Seria mais feliz? Sim, sem dúvida posso afirmar isso. Eu seria mais feliz. Tenho a certeza que a minha vida teria sido toda muito diferente… Mas ao pensar nisso lembro-me daquela última semana quando regressei à tua casa e da avó. Estava notoriamente mais triste naquela noite, onde o sol já não banhava a varanda onde tu te encontravas a consultar alguns documentos. E depois de ter visto tudo aquilo e de perceber que tinha de espairecer e que aquilo certamente nada daquilo me poderia estar a acontecer a mim, quando eu já ia ao fundo do corredor, tu chamaste por mim. Já não era aquela voz alegre e divertida, não. Não, nunca mais tinha sido a mesma desde que voltaras aquela casa, pois até tu já tinhas consciência do que se sucederia. Mas mesmo assim, juntas-te todos os teus esforços, e gritaste por mim. Eu, consciente de que poderia ser a última vez que conseguirias gritar assim por mim, acorri. Corri tão depressa quanto pude por aquele corredor, e quando olhei para ti e me estendeste uma velha e dobrada nota de 5€, apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo. Era tão simples, comparado com a complexidade daquilo que sentia. Mas aproximei-me e peguei. Mais tarde deixámos a casa e eu tinha o pressentimento que aquela casa iria ser mais deprimente da próxima vez, parecia até que a casa começara um choro interminável. Nos dias seguintes proibiram-me expressamente de voltar à casa para te visitar. Eu não percebia porquê, fingia não perceber, não queria aceitar uma realidade que era demasiado dura e ainda desconhecida para mim. Pois nem para a aceitar tive tempo. No dia 25 de Maio o sol acordou radiante mas triste. Como última homenagem ele brilhava, mas tenho a certeza que se não fosse por isso, nunca mais ele brilharia. Quando soube a minha reacção foi pacífica, mas percebi, contudo, a grande mudança ocorrida em mim. Eu crescera, e bastante. Para mim perder-te foi como perder os pais. A partir daí comecei a adoptar o velho método que hoje em dia tento controlar: o planeamento. Simplesmente comecei a planear todas as situações que me poderiam passar à frente e não consigo parar de o fazer, pois tenho medo do que possa vir a acontecer. Tenho medo de ter mais desilusões, como muitas outras que já tive ao longo da minha vida. Sei porque comecei a sofrer mais a partir daí: nunca mais estiveste ao meu lado para me proteger. Pelo menos não num estado físico visível. Hoje já aprendi que estás sempre do meu lado quando eu preciso. É só preciso saber chamar-te…

17.4.08

Ultimatum - o último dos posts

Já alguma vez houve um momento em que olhou para fora da janela e sentiu como se... Como se a vida fosse mais bela do que nunca? Como se o sol se atrevesse a olhar para nós, por fim? Como se a brisa trouxesse aromas diferentes, e ao mesmo tempo o levasse a viajar, por aí, pelo Mundo...?
Finalmente, eu sinto-me assim.
Há umas semanas atrás eu tomei uma decisão - a decisão: não vou escrever mais. Escrever só me traz recordações de um passado que tento enterrar há tanto tempo.
Está na altura de me concentrar no que vem para a frente - no futuro.

Nota: Alguns textos serão acrescentados posteriormente mas serão textos que já escrevi há algum tempo e que, infelizmente, ainda não tive tempo de publicar.