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16.8.10

making decisions.

Chega uma altura em que é preciso tomar decisões: direita ou esquerda, economia ou gestão, branco ou preto, ser feliz ou não... Na verdade cada vez me custa mais a acreditar que a última seja uma opção, mas funciona mais como uma predisposição genética. A felicidade é algo que é tão ridiculamente óbvio para algumas pessoas, e para outras não poderia ser uma regalia mais rara.
Decisões, decisões, ... Quanto mais o tempo avança mais dificeis se tornam as escolhas, mais emaranhado se torna o percurso por entre as árvores, o nevoeiro a encobrir o que se avizinha, a floresta em que vivo a obstruir a passagem de todas as maneiras possiveís. Não há saída? Não parece haver. Eu procuro e procuro, eu caio e volto a levantar-me, apenas para descobrir que ando às voltas no mesmo círculo vicioso.
"Vale a pena lutar?" - pergunto-me - "Vale a pena continuar a massacrar o que já está dormente de dor?"
Penso seriamente no assunto, mas eventualmente sempre me levanto e continuo a busca. Porém a questão põe-se mais uma vez: ficar ou ir, desistir ou lutar, ganhar ou morrer? Ao fim do dia os meus ossos estalam e pesam e arrastam-se preparando-se para um novo dia, dia após dia, neste labirinto sem fim.


23.7.09

mountain goats.

Os últimos quatro dias passei-os em Peniche. É um sitío giro. Para quem gosta de praia e de pouco calor... Como eu (especialmente na segunda parte, sou mais de climas frios/chuvosos).
E como tal não fiz o meu Music Monday, mas tenciono fazê-lo agora, para quem gosta de indie ou música alternativa, esta banda é boa. Pessoalmente esta é a minha música preferida:


Descobri esta banda através do John Green. Ele uma vez disse no BlogTV que era a única banda que ouvia e achei interessante, mas nunca mais me lembrei de ir ver até hoje. Porque estou a ler o livro dele Paper Towns em que a banda é mencionada.

13.7.09

[music moday - 13/07]

ok tenho que admitir que isto foi um bocado em cima da hora e nem gosto assim tanto da música, mas faz-me lembrar a praia e o calor, e eu estou quase a ir para o Algarve por isso acho que é adequado. :P
E vocês para onde vão de férias?

8.7.09

memories.


Dá-me a tua mão. Fecha os olhos.
Suavemente dá uma volta, como se este fosse o melhor momento da tua vida, como se esta fosse a melodia mais bela que já alguma vez ouviste.
Uma lágrima cai. Um suspiro é libertado em vão, e o medo que o outro se tenha apercebido aumenta. O fim nunca esteve tão perto.
O sol entra pela janela, iluminando o chão mogno, envernizado, no qual passámos tantos momentos juntos, a dançar, deitados a contar os defeitos do tecto, aninhados um no outro nos dias de inverno, lutando para manter o calor, ouvindo a chuva a tentar perturbar o momento.
Tudo acaba, não há dúvida.
A questão é: vais-te lembrar?
Serão estas memórias dignas da nossa lembrança, do nosso sofrimento sempre que nos lembrarmos do que deixámos para trás.
Ou será que são apenas memórias, vazias, como todas aquelas que vieram antes de ti...?

cate.

6.7.09

[music monday.]

É provável que não faça isto todas as segundas-feiras (até porque o mais provável é que me esqueça que é segunda-feira, como estou de férias todos os dias parecem iguais), mas esta segunda senti-me inspirada pelo que penso que vai ser uma das músicas da banda sonora do meu Verão.
Ela é
Paris Is Burning de Ladyawke. Pessoalmente, nunca tinha dado muita importância à cantora, mas agora até gosto das músicas.

(esta é um remix, e por enquanto é o meu preferido)
Esta música faz-me lembrar do Lookbook.nu (site no qual estou viciada de momento)... Se gostam de moda ou têm roupas vintage e não sabem o que vestir amanhã, aconselho vivamente a espreitarem. E já agora se alguém me quiser mandar um convite para entrar, já que é um invitation only site.

BTW, repararam no novo layout? Ainda vou dar mais uns retoques, mas está oficialmente pronto.

cate.

25.5.08

A Ti AVô - 5 anos

A ti avô porque és especial. És especial porque sim. Não tenho razão. Mas… é preciso? Não faz mal, tenho muitas para te dar. Podemos começar com a mais precária de todas… o facto de me teres educado. Não é a melhor claro, mas parece-me a mais plausível para quem não nos conheceu. Eras tu que me levavas a ver os pombos, lembraste? Era tão divertido! Levaste-me a andar de metro pela primeira vez, e foi aí que me apaixonei por esse bichinho do subsolo que tu tão bem conhecias. Lembro-me de me levares a passear ao Carrefour com a avó. Era um acto bastante simples, mas sabes como eu adorava aqueles passeios. Afinal eram raros e divertia-me sempre imenso. Lembro-me de ás vezes estar em casa com a avó. Ela estava a fazer o almoço e eu estava á tua espera. Fiquei preocupada pois nunca mais chegavas e já estava a ficar zangada, mas depois apareceste com um sorriso e um embrulho nas mãos. Tinha comprado aquilo a que a minha avó costumava chamar de “aparelhómetro inútil”, mas que apenas se resumia num aparelho electrónico. E tudo isto porque me amavas… Porque mais ninguém me amava como tu. Era rejeitada, e ao habituar-me ao teu amor não reparei que era como uma droga que provoca uma espécie de vício leve. Pois quando voaste em direcção ao céu e me deixaste eu senti parte do meu espiríto voar contigo também. Parte do meu espiríto que nunca mais voltou, mas que sempre tenta voltar nas alturas mais difíceis. Sei que estás por trás dessa tentativa de regresso, pois sinto o teu perfume novamente, parece que revejo o teu sorriso no meu próprio rosto… Oh! Só Deus sabe a falta que me fazes nessas alturas difíceis. Ás vezes ponho-me a pensar no que teria sido a vida se estivesses aqui comigo… Seria mais feliz? Sim, sem dúvida posso afirmar isso. Eu seria mais feliz. Tenho a certeza que a minha vida teria sido toda muito diferente… Mas ao pensar nisso lembro-me daquela última semana quando regressei à tua casa e da avó. Estava notoriamente mais triste naquela noite, onde o sol já não banhava a varanda onde tu te encontravas a consultar alguns documentos. E depois de ter visto tudo aquilo e de perceber que tinha de espairecer e que aquilo certamente nada daquilo me poderia estar a acontecer a mim, quando eu já ia ao fundo do corredor, tu chamaste por mim. Já não era aquela voz alegre e divertida, não. Não, nunca mais tinha sido a mesma desde que voltaras aquela casa, pois até tu já tinhas consciência do que se sucederia. Mas mesmo assim, juntas-te todos os teus esforços, e gritaste por mim. Eu, consciente de que poderia ser a última vez que conseguirias gritar assim por mim, acorri. Corri tão depressa quanto pude por aquele corredor, e quando olhei para ti e me estendeste uma velha e dobrada nota de 5€, apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo. Era tão simples, comparado com a complexidade daquilo que sentia. Mas aproximei-me e peguei. Mais tarde deixámos a casa e eu tinha o pressentimento que aquela casa iria ser mais deprimente da próxima vez, parecia até que a casa começara um choro interminável. Nos dias seguintes proibiram-me expressamente de voltar à casa para te visitar. Eu não percebia porquê, fingia não perceber, não queria aceitar uma realidade que era demasiado dura e ainda desconhecida para mim. Pois nem para a aceitar tive tempo. No dia 25 de Maio o sol acordou radiante mas triste. Como última homenagem ele brilhava, mas tenho a certeza que se não fosse por isso, nunca mais ele brilharia. Quando soube a minha reacção foi pacífica, mas percebi, contudo, a grande mudança ocorrida em mim. Eu crescera, e bastante. Para mim perder-te foi como perder os pais. A partir daí comecei a adoptar o velho método que hoje em dia tento controlar: o planeamento. Simplesmente comecei a planear todas as situações que me poderiam passar à frente e não consigo parar de o fazer, pois tenho medo do que possa vir a acontecer. Tenho medo de ter mais desilusões, como muitas outras que já tive ao longo da minha vida. Sei porque comecei a sofrer mais a partir daí: nunca mais estiveste ao meu lado para me proteger. Pelo menos não num estado físico visível. Hoje já aprendi que estás sempre do meu lado quando eu preciso. É só preciso saber chamar-te…

24.2.08