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16.8.10

making decisions.

Chega uma altura em que é preciso tomar decisões: direita ou esquerda, economia ou gestão, branco ou preto, ser feliz ou não... Na verdade cada vez me custa mais a acreditar que a última seja uma opção, mas funciona mais como uma predisposição genética. A felicidade é algo que é tão ridiculamente óbvio para algumas pessoas, e para outras não poderia ser uma regalia mais rara.
Decisões, decisões, ... Quanto mais o tempo avança mais dificeis se tornam as escolhas, mais emaranhado se torna o percurso por entre as árvores, o nevoeiro a encobrir o que se avizinha, a floresta em que vivo a obstruir a passagem de todas as maneiras possiveís. Não há saída? Não parece haver. Eu procuro e procuro, eu caio e volto a levantar-me, apenas para descobrir que ando às voltas no mesmo círculo vicioso.
"Vale a pena lutar?" - pergunto-me - "Vale a pena continuar a massacrar o que já está dormente de dor?"
Penso seriamente no assunto, mas eventualmente sempre me levanto e continuo a busca. Porém a questão põe-se mais uma vez: ficar ou ir, desistir ou lutar, ganhar ou morrer? Ao fim do dia os meus ossos estalam e pesam e arrastam-se preparando-se para um novo dia, dia após dia, neste labirinto sem fim.


31.8.09

endings.

Primeiro que tudo, peço desculpa por não aparecer aqui há algum tempo. A verdade é que para mim alguns dias são dificeís de "viver", não vou mentir.


No outro dia estive a pensar (e a escrever) sobre fins. Como o fim do dia, marcado pelo pôr-do-sol; o fim de uma viagem, o cansaço a tomar conta de nós, mas a sensação tão distinta de satisfação; o fim de um capítulo, e (se o livro fôr bom) o anseio para começar outro, ... O facto é que seja qual fôr o final, normalmente algo se segue. A noite, a rotina, outro livro, até a vida depois da morte. É lógico. Chego à conclusão de que no fim de algo, outra coisa tem de se seguir.


Mas nem sempre é tão linear o que se segue. No outro dia uma amiga perguntou-me a questão mais simples, mais perguntada de sempre desde a nossa infância (e não, não é a minha odiada "Estás bem?/Está tudo bem?) "O que queres seres quando cresceres?". Ela pôs a pergunta mesmo assim, ignorando o facto de apesar de ainda não sermos propriamente adultas, já termos "crescido". O mais alarmante de qualquer maneira foi a resposta vazia que tinha para ela.
É claro que não sou assim tão irresponsável, estando a caminho do 12ºano e tudo o mais. Eu tenho uma resposta(s) automática - economia, normalmente a mais segura. Sejamos realistas, porém. Eu não tenho nenhum interesse especial por economia, ou outra coisa qualquer para dizer a verdade. Eu praticamente não tenho interesses reais. Estou tão habituada a satisfazer os outros, ou pelo menos, a tentar alcançar as expectativas que os outros têm para mim, que realmente não consigo pensar em nada que eu queira realmente.


Chegamos ao fim. E agora qual é o caminho? Vou mudar o meu destino em função de mim ou das expectativas dos outros?
Chegamos ao fim, de facto, mas acho que nunca vou ter a minha resposta.

24.8.09

secrets.

Toda a gente tem segredos. Qual é o teu maior segredo?

No silêncio das nossas casas, nas sombras da nossa vida, escondemos os nossos segredos. Uns maiores que outros, outros mais escuros que outros. Alguns partilhamos com uma amiga próxima, outros partilhamos com um diário, outros simplesmente são ditos em frustração bêbeda (sim eu digo coisas bastante interessantes quando estou bêbeda :S).
Será que ter segredos significa que nos gostamos de distanciar das pessoas há nossa volta? Ou simplesmente que as queremos proteger?
Talvez somos nós mesmos que não estamos ainda preparados para partilhar algo, para admitir.
De qualquer maneira acho que é sempre bom não revelar tudo quer seja aos nossos amigos, familía ou namorados. Torna a relação mais interessante, ir descobrindo aos poucos outra pessoa. Mas e se alguém descobrir algum dos meus segredos que não gosta? O mais provável é acabar sozinha...

A vida é demasiado complicada. E eu penso demais.

22.8.09

Qual é, na vossa opinião?

20.8.09

want.

Apetece-me dormir, fechar os olhos e sonhar de sitíos inimagináveis. Apetece-me sair, correr os campos tingindos de verde. Apetece-me ficar eternamente deitada na relva fofa, observar o contraste das estrelas brilhantes no céu preto e segurar a tua mão. Apetece-me... Quando somos novos, queremos decobrir tudo e tudo é o fim do mundo.
Há tantas coisas que quero ver, descobrir, guardar na minha memória. Mas tudo parece tão impossível, parece que não há tempo, parece que tudo vai acabar com um suspiro, com a brisa leve do vento.
Pois ela que me leve. Quero voar. Quero imaginar. Quero descobrir. Quero concretizar tudo aquilo que me apetece fazer, só pelo luxo de que posso, de que quero.

cate.

16.8.09

random thought.

A second, a minute, an hour, a day ago.
Painful remembrances of the moments we let go.

27.7.09

"Saying 'I notice you're a nerd' is like saying, 'Hey, I notice that you'd
rather be intelligent than be stupid, that you'd rather be thoughtful than be
vapid, that you believe that there are things that matter more than the arrest
record of Lindsay Lohan. Why is that?' In fact, it seems to me that most
contemporary insults are pretty lame. Even 'lame' is kind of lame. Saying
'You're lame' is like saying 'You walk with a limp.' Yeah, whatever, so does 50
Cent, and he's done all right for himself." (John Green, July 27th)

Something John Green said two years ago, e com a qual eu concordo. LOL. Rio-me sempre que leio isto, porque é tão verdade e cómico ao mesmo tempo. Anyway... É o meu dia de anos! Não dou muita importância, mas sejamos francos, isto é o meu blog e É o meu dia de anos afinal, portanto eu posso escrever o que quiser - Parabéns para mim, porque de facto efectuei mais uma órbita à volta do sol, mais um ano. 17. Credo, já se torna uma rotina!

9.7.09

desperate.

Because everybody else has.

the sky is the limit.


..at least we hope so

8.7.09

memories.


Dá-me a tua mão. Fecha os olhos.
Suavemente dá uma volta, como se este fosse o melhor momento da tua vida, como se esta fosse a melodia mais bela que já alguma vez ouviste.
Uma lágrima cai. Um suspiro é libertado em vão, e o medo que o outro se tenha apercebido aumenta. O fim nunca esteve tão perto.
O sol entra pela janela, iluminando o chão mogno, envernizado, no qual passámos tantos momentos juntos, a dançar, deitados a contar os defeitos do tecto, aninhados um no outro nos dias de inverno, lutando para manter o calor, ouvindo a chuva a tentar perturbar o momento.
Tudo acaba, não há dúvida.
A questão é: vais-te lembrar?
Serão estas memórias dignas da nossa lembrança, do nosso sofrimento sempre que nos lembrarmos do que deixámos para trás.
Ou será que são apenas memórias, vazias, como todas aquelas que vieram antes de ti...?

cate.

6.7.09

heartless love.



She, with her dark, yet not inappropriate, wittiness, her eyes mostly lifeless, depression sucking slowly the light of her hitherto bright, innocent halo. She, who despite having plainly shown her despise for the subject, could not have put it in better terms than the epitome of love itself. There was something about her, about this change almost impossible, extremely unpredictable, that lent to it, to her, an most amazing edge of wonder and magic. There was so much one could say about love without making it hideous, a despicable disease, and yet the best description of such strong, complex feeling came from none other but the least fateful in it. 1/07/09 00:16

3.7.09

Images

Do outro lado da janela crianças brincavam despreocupadas, combatendo as leis da gravidade e soltando gargalhadas terrivelmente inocentes e verdadeiras. Sentada no parapeito da minha janela, observava todo este espectáculo de vida, tão real e porém tão distante e inalcançável. As folhas das árvores no parque lá fora bruxuleavam, fazendo as sombras dançar descoordenadamente. Fechei os olhos lentamente, tentando desesperadamente reter aquela imagem pacífica na minha cabeça. Outras imagens se misturavam, imagens de momentos mais felizes, de sítios coloridos pela felicidade e iluminados pela esperança.

Á medida que o tempo passava, cada vez mais eu me apercebia que a felicidade, o doce som da despreocupação, as palavras pronunciadas irreflectidamente… nada disso era perpétuo, muito pelo contrário, cada vez se desvanecia mais. Á medida que o tempo passava, o sol agora quase encoberto pelo horizonte alaranjado, as crianças a trocar despedidas, agora também elas mais sérias, o dia a ficar calmo, escuro; tudo se desvanecia: a alegria, a felicidade, a inocência. Tomamos as coisas mais banais da nossa infância por adquiridas, e sem darmos por isso elas fogem, abandonam-nos, deixam-nos sem esperança de as reencontrar num inferno frio e solitário.

Abri os olhos e observei a noite a acomodar-se, fria, o vento hostil, o parque deserto, e eu sentada na pedra fria da minha janela de sonhos, agarrando imagens da felicidade que julgava nunca mais conseguir alcançar, como se fossem uma arma contra os pesadelos, uma bóia no oceano negro.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009; 23:04

Para este eu usei como soundtrack Shooting Star dos Air Traffic

25.5.08

A Ti AVô - 5 anos

A ti avô porque és especial. És especial porque sim. Não tenho razão. Mas… é preciso? Não faz mal, tenho muitas para te dar. Podemos começar com a mais precária de todas… o facto de me teres educado. Não é a melhor claro, mas parece-me a mais plausível para quem não nos conheceu. Eras tu que me levavas a ver os pombos, lembraste? Era tão divertido! Levaste-me a andar de metro pela primeira vez, e foi aí que me apaixonei por esse bichinho do subsolo que tu tão bem conhecias. Lembro-me de me levares a passear ao Carrefour com a avó. Era um acto bastante simples, mas sabes como eu adorava aqueles passeios. Afinal eram raros e divertia-me sempre imenso. Lembro-me de ás vezes estar em casa com a avó. Ela estava a fazer o almoço e eu estava á tua espera. Fiquei preocupada pois nunca mais chegavas e já estava a ficar zangada, mas depois apareceste com um sorriso e um embrulho nas mãos. Tinha comprado aquilo a que a minha avó costumava chamar de “aparelhómetro inútil”, mas que apenas se resumia num aparelho electrónico. E tudo isto porque me amavas… Porque mais ninguém me amava como tu. Era rejeitada, e ao habituar-me ao teu amor não reparei que era como uma droga que provoca uma espécie de vício leve. Pois quando voaste em direcção ao céu e me deixaste eu senti parte do meu espiríto voar contigo também. Parte do meu espiríto que nunca mais voltou, mas que sempre tenta voltar nas alturas mais difíceis. Sei que estás por trás dessa tentativa de regresso, pois sinto o teu perfume novamente, parece que revejo o teu sorriso no meu próprio rosto… Oh! Só Deus sabe a falta que me fazes nessas alturas difíceis. Ás vezes ponho-me a pensar no que teria sido a vida se estivesses aqui comigo… Seria mais feliz? Sim, sem dúvida posso afirmar isso. Eu seria mais feliz. Tenho a certeza que a minha vida teria sido toda muito diferente… Mas ao pensar nisso lembro-me daquela última semana quando regressei à tua casa e da avó. Estava notoriamente mais triste naquela noite, onde o sol já não banhava a varanda onde tu te encontravas a consultar alguns documentos. E depois de ter visto tudo aquilo e de perceber que tinha de espairecer e que aquilo certamente nada daquilo me poderia estar a acontecer a mim, quando eu já ia ao fundo do corredor, tu chamaste por mim. Já não era aquela voz alegre e divertida, não. Não, nunca mais tinha sido a mesma desde que voltaras aquela casa, pois até tu já tinhas consciência do que se sucederia. Mas mesmo assim, juntas-te todos os teus esforços, e gritaste por mim. Eu, consciente de que poderia ser a última vez que conseguirias gritar assim por mim, acorri. Corri tão depressa quanto pude por aquele corredor, e quando olhei para ti e me estendeste uma velha e dobrada nota de 5€, apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo. Era tão simples, comparado com a complexidade daquilo que sentia. Mas aproximei-me e peguei. Mais tarde deixámos a casa e eu tinha o pressentimento que aquela casa iria ser mais deprimente da próxima vez, parecia até que a casa começara um choro interminável. Nos dias seguintes proibiram-me expressamente de voltar à casa para te visitar. Eu não percebia porquê, fingia não perceber, não queria aceitar uma realidade que era demasiado dura e ainda desconhecida para mim. Pois nem para a aceitar tive tempo. No dia 25 de Maio o sol acordou radiante mas triste. Como última homenagem ele brilhava, mas tenho a certeza que se não fosse por isso, nunca mais ele brilharia. Quando soube a minha reacção foi pacífica, mas percebi, contudo, a grande mudança ocorrida em mim. Eu crescera, e bastante. Para mim perder-te foi como perder os pais. A partir daí comecei a adoptar o velho método que hoje em dia tento controlar: o planeamento. Simplesmente comecei a planear todas as situações que me poderiam passar à frente e não consigo parar de o fazer, pois tenho medo do que possa vir a acontecer. Tenho medo de ter mais desilusões, como muitas outras que já tive ao longo da minha vida. Sei porque comecei a sofrer mais a partir daí: nunca mais estiveste ao meu lado para me proteger. Pelo menos não num estado físico visível. Hoje já aprendi que estás sempre do meu lado quando eu preciso. É só preciso saber chamar-te…

17.4.08

Ultimatum - o último dos posts

Já alguma vez houve um momento em que olhou para fora da janela e sentiu como se... Como se a vida fosse mais bela do que nunca? Como se o sol se atrevesse a olhar para nós, por fim? Como se a brisa trouxesse aromas diferentes, e ao mesmo tempo o levasse a viajar, por aí, pelo Mundo...?
Finalmente, eu sinto-me assim.
Há umas semanas atrás eu tomei uma decisão - a decisão: não vou escrever mais. Escrever só me traz recordações de um passado que tento enterrar há tanto tempo.
Está na altura de me concentrar no que vem para a frente - no futuro.

Nota: Alguns textos serão acrescentados posteriormente mas serão textos que já escrevi há algum tempo e que, infelizmente, ainda não tive tempo de publicar.

18.3.08

Mean Wait

Eu espero-te, na noite escura e fria. Eu espero eternamente sob o céu enublado. Sentada nesta cadeira velha, numa sala escura, em que a única coisa que me diz que é noite é a janela minúscula com grades de ferro. Eu olho e desejo-a. Desejo aquela noite que não posso ter. As lágrimas, essas já não caem mais. Não. Os meus olhos estão secos, encarquilhados, completamente desidratados, porque chorar pertenceu ao passado, quando era fútil e ignorante. Agora apenas um deserto seco e impiedoso me espera.
Mas eu ainda te espero. Espero-te debaixo de um arco de sofrimento, porque ainda tenho esta esperança… A esperança de que sejas “aquele”. Porque eu sei que te amo! Só não sei quem és…

3.3.08

Touch... Awaking my soul

O toque pode por vezes ser uma coisa terrível para mim. O calor, a sensação, não sei… Faz-me lembrar dias esquecidos de Verão que nunca hão-de voltar, faz-me lembrar aquilo que não tenho, faz-me lembrar a impossibilidade. Mas por vezes, por vezes, um abraço seria suficiente para reconstituir a minha vida, para dizer luta mais um bocado, pois talvez a batalha esteja quase ganha.
Á noite em sonho o Mundo é preto e frio, sou só eu agarrada a uma almofada, é só uma pequena rapariga que voltou à sua infância e está assustada agarrada àquilo que apenas são sonhos despedaçados e projectos impossíveis.
Sou apenas… um pedaço de uma jarra partida.

6.2.08

Not Some Cliché

Caiu no chão: a luta é demasiado difícil. A minha cara encostada ao chão de cimento sujo e frio, as minhas mãos e joelhos esfolados, as lágrimas pretas a caírem – parece cliché? Sim, cena habitual e ordinária da minha vida. Ponho-me de joelhos, imploro, a voz a falhar-me, por um momento de paz, por um momento de silêncio, mas a vida não me dá mais do que o escuro, o frio, a podridão, dá-me uma luta, que não quero, que não posso combater. Enrolo-me em mim fecho os olhos por dois segundos, mas a única coisa que consigo ver é uma grande fenda preta para onde estou a cair – não, não…! O meu cabelo, anteriormente brilhante e bem escovado, está desgrenhado, a cair, a tentar sair daquele inferno: talvez ele possa mas eu não.
Gatinho – uma mão depois a outra, um joelho depois o outro – as feridas a arderem-me infectadas pelas bactérias de que a minha vida é feita. Isto dói, mas ninguém vê isso, isto é tão insuportável, e o único motivo pelo qual ainda o faço é porque sou fútil, porque ainda espero por um nascer do sol, porque ainda espero que o adversário tenha piedade de mim… Será que isso é ser estúpido? Querer que as coisas fiquem bem é ser estúpido, querer ter uma vida…?

Algo choca contra as minhas costas – é ela outra vez – e pergunto “Quando vais ter misericórdia? Quando vais parar?”. Mas ela não se importa nem com as respostas que procuro, nem com a dor que tenho, nem com nada que não seja tentar matar-me. Nem ela sabe o quanto vai ser ajudada: sinceramente também não tenho vontade de viver. Não uma vida assim, não uma vida em que um carinho é um chicote em riste. Não… Eu sou mais do que isso, eu sei-o, e por isso a minha escolha é… Qual será mesmo?

Este É O Meu Derradeiro Pedido...

O dia estava lindo. Era dia seis de Fevereiro, nove e onze na manhã. Por muito que o sol brilhasse, por muito que eu quisesse, as cores não iam brilhar neste dia. Não iam, não podiam… Ainda continuo a pensar naquilo que me tem vindo a invadir os pensamentos toda a minha vida. O meu cabelo entrançado, a minha camisola sem mangas branca, a minha saia rosa – tudo isto é abafado por casacos e cachecóis, exigências rigorosas do Inverno, por isso eu disse, eu digo e continuo a dizer: neste dia as cores não vão brilhar, eu não vou brilhar, nem hoje e provavelmente nunca mais. É cansativo para algumas pessoas tentar tantas vezes e falhar em todas, é duro. A vida não foi feita para todos vivermos, e provavelmente para mim não foi. Provavelmente…? Não de certeza que não foi... E eu, eu já não aguento mais passar cada dia, passar cada hora com esta dor, que ninguém compreende, que ninguém vê. Eu não tenho ajuda possível, neste sítio, em qualquer sítio mesmo, não tenho ninguém que me tire estes casacos, estes cachecóis, para que possa brilhar. Hei-de estar sempre tapada, soterrada por baixo de tudo, no fim do Mundo, longe do Sol.
Por isso este é o meu derradeiro pedido: faz com que isto acabe, pois eu não gosto de viver, e certamente muito menos de tentar brilhar aos olhos de um sol que nem nunca se vai importar...

4.2.08

Dreams For Friends - more personal than it seams to be

Bodmin, 27 de Janeiro de 2003


Querida Meredith,
Como vais aí em Lisboa? Esta é a minha nova morada em Inglaterra. Teria muito gosto em que me viesses visitar e claro, ver a minha nova casa.
Pelos jardins eu passeio, na r
elva, em direcção ao lago. O meu vestido de algodão amarelo claro mexe-se levemente enquanto ando, levanto a aba do meu chapéu branco com um laço amarelo a tempo de ver o sol a começar a descer.
Hoje deitei os meus sapatos de balle
t velhos fora, só para que saibas. Pensei que gostasses de saber uma vez que sempre os adoraste – as maravilhosas sapatilhas de ponta renascença. Há quanto tempo esses tempos já foram não é? Sinto-me velha ao dizer isto mas o tempo passa a correr de facto.
Sei que vais ficar desapontada mas esta é provavelmente a última que escrevo. Não só cartas, mas qualquer outro tipo de textos pois como já estou farta de repetir encontrei os meus sonhos. Encontrei-os, fi-los acontecer, agora é altura de ficar por aqui, a tomar partido deles…
De qualquer maneira não te prendas a mim. Por esse mundo afora existem sonhos diferentes dos meus, vidas diferentes da minha. Por esse mundo afora existem coisas que tu nem imaginas, que eu nem imagino. Por esse mundo afora existem coisas que nunca ninguém viu, que nunca ninguém descobriu – mas com que toda a gente sonha.
Eu porém já não posso partir em busca de tais coisas. Eu já não posso partir mais pois estou presa, presa por correntes. O meu coração prende-me e as correntes, essas são os meus sonhos realizados.
Tu, tu sim deves ir, partir, correr em direcção a esse infinito. Deves voar até às nuvens mais altas, mergulhar nos oceanos mais profundos, correr por entre as ondas que morrem na praia. Tu sim deves dar a volta, girar à volta do Mundo, tu sim deves ver as coisas que eu nunca tive tempo de ver porque me deparei com estes sonhos.
Tu sim deves procurar quem és. Viaja, corre, grita, encontra-te. Não te prendas a futilidades, não te prendas a mim, não te prendas a ninguém, nem à Terra. Olha o sol todos os dias como se fosse a primeira vez, pois pode ser a última.
E só um conselho turístico: visita Londres. Talvez seja a inspiração de que precisas.
Agora fico-me por aqui, pensando ainda nas minhas próprias palavras, na linha entre a Terra e o pôr-do-sol. Talvez esta carta esteja a ser pessoal de mais, talvez não – decide tu, só sei que apesar de já ter os meus sonhos a única coisa em que consigo pensar é na minha morte.
Da sempre tua,

Catherine

Hallelujah...

Tears run down in my face. You finally appeared. I’ve been waiting for you; I’ve been waiting for you all along, since you’ve been gone, since you left me. My stupid red bow is still there, on my hair, in my ridiculously enlighten hair. My black t-shirt is the same, the same you once gave me on my birthday. I’ve been here all along, did you know? Waiting, wishing, hoping. I waited so long that I even thought I was dead, and maybe I am. The coldness of the winter or the heat of the summer has been nothing compared to the pain of not having you around, of thinking you were dead. You don’t even imagine, you will never imagine, because you are… you.
But now I’m done waiting, I’m done wishing, or hoping, or anything else that involves you. I’m done, and I’m leaving right now. I’ve only stick in this awful place just so you could see that I’m not like you, I keep my word. You didn’t… You said you would be here by eight on Tuesday and I waited five long years until you managed to appear.