25.5.08

A Ti AVô - 5 anos

A ti avô porque és especial. És especial porque sim. Não tenho razão. Mas… é preciso? Não faz mal, tenho muitas para te dar. Podemos começar com a mais precária de todas… o facto de me teres educado. Não é a melhor claro, mas parece-me a mais plausível para quem não nos conheceu. Eras tu que me levavas a ver os pombos, lembraste? Era tão divertido! Levaste-me a andar de metro pela primeira vez, e foi aí que me apaixonei por esse bichinho do subsolo que tu tão bem conhecias. Lembro-me de me levares a passear ao Carrefour com a avó. Era um acto bastante simples, mas sabes como eu adorava aqueles passeios. Afinal eram raros e divertia-me sempre imenso. Lembro-me de ás vezes estar em casa com a avó. Ela estava a fazer o almoço e eu estava á tua espera. Fiquei preocupada pois nunca mais chegavas e já estava a ficar zangada, mas depois apareceste com um sorriso e um embrulho nas mãos. Tinha comprado aquilo a que a minha avó costumava chamar de “aparelhómetro inútil”, mas que apenas se resumia num aparelho electrónico. E tudo isto porque me amavas… Porque mais ninguém me amava como tu. Era rejeitada, e ao habituar-me ao teu amor não reparei que era como uma droga que provoca uma espécie de vício leve. Pois quando voaste em direcção ao céu e me deixaste eu senti parte do meu espiríto voar contigo também. Parte do meu espiríto que nunca mais voltou, mas que sempre tenta voltar nas alturas mais difíceis. Sei que estás por trás dessa tentativa de regresso, pois sinto o teu perfume novamente, parece que revejo o teu sorriso no meu próprio rosto… Oh! Só Deus sabe a falta que me fazes nessas alturas difíceis. Ás vezes ponho-me a pensar no que teria sido a vida se estivesses aqui comigo… Seria mais feliz? Sim, sem dúvida posso afirmar isso. Eu seria mais feliz. Tenho a certeza que a minha vida teria sido toda muito diferente… Mas ao pensar nisso lembro-me daquela última semana quando regressei à tua casa e da avó. Estava notoriamente mais triste naquela noite, onde o sol já não banhava a varanda onde tu te encontravas a consultar alguns documentos. E depois de ter visto tudo aquilo e de perceber que tinha de espairecer e que aquilo certamente nada daquilo me poderia estar a acontecer a mim, quando eu já ia ao fundo do corredor, tu chamaste por mim. Já não era aquela voz alegre e divertida, não. Não, nunca mais tinha sido a mesma desde que voltaras aquela casa, pois até tu já tinhas consciência do que se sucederia. Mas mesmo assim, juntas-te todos os teus esforços, e gritaste por mim. Eu, consciente de que poderia ser a última vez que conseguirias gritar assim por mim, acorri. Corri tão depressa quanto pude por aquele corredor, e quando olhei para ti e me estendeste uma velha e dobrada nota de 5€, apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo. Era tão simples, comparado com a complexidade daquilo que sentia. Mas aproximei-me e peguei. Mais tarde deixámos a casa e eu tinha o pressentimento que aquela casa iria ser mais deprimente da próxima vez, parecia até que a casa começara um choro interminável. Nos dias seguintes proibiram-me expressamente de voltar à casa para te visitar. Eu não percebia porquê, fingia não perceber, não queria aceitar uma realidade que era demasiado dura e ainda desconhecida para mim. Pois nem para a aceitar tive tempo. No dia 25 de Maio o sol acordou radiante mas triste. Como última homenagem ele brilhava, mas tenho a certeza que se não fosse por isso, nunca mais ele brilharia. Quando soube a minha reacção foi pacífica, mas percebi, contudo, a grande mudança ocorrida em mim. Eu crescera, e bastante. Para mim perder-te foi como perder os pais. A partir daí comecei a adoptar o velho método que hoje em dia tento controlar: o planeamento. Simplesmente comecei a planear todas as situações que me poderiam passar à frente e não consigo parar de o fazer, pois tenho medo do que possa vir a acontecer. Tenho medo de ter mais desilusões, como muitas outras que já tive ao longo da minha vida. Sei porque comecei a sofrer mais a partir daí: nunca mais estiveste ao meu lado para me proteger. Pelo menos não num estado físico visível. Hoje já aprendi que estás sempre do meu lado quando eu preciso. É só preciso saber chamar-te…

17.4.08

Ultimatum - o último dos posts

Já alguma vez houve um momento em que olhou para fora da janela e sentiu como se... Como se a vida fosse mais bela do que nunca? Como se o sol se atrevesse a olhar para nós, por fim? Como se a brisa trouxesse aromas diferentes, e ao mesmo tempo o levasse a viajar, por aí, pelo Mundo...?
Finalmente, eu sinto-me assim.
Há umas semanas atrás eu tomei uma decisão - a decisão: não vou escrever mais. Escrever só me traz recordações de um passado que tento enterrar há tanto tempo.
Está na altura de me concentrar no que vem para a frente - no futuro.

Nota: Alguns textos serão acrescentados posteriormente mas serão textos que já escrevi há algum tempo e que, infelizmente, ainda não tive tempo de publicar.

18.3.08

Mean Wait

Eu espero-te, na noite escura e fria. Eu espero eternamente sob o céu enublado. Sentada nesta cadeira velha, numa sala escura, em que a única coisa que me diz que é noite é a janela minúscula com grades de ferro. Eu olho e desejo-a. Desejo aquela noite que não posso ter. As lágrimas, essas já não caem mais. Não. Os meus olhos estão secos, encarquilhados, completamente desidratados, porque chorar pertenceu ao passado, quando era fútil e ignorante. Agora apenas um deserto seco e impiedoso me espera.
Mas eu ainda te espero. Espero-te debaixo de um arco de sofrimento, porque ainda tenho esta esperança… A esperança de que sejas “aquele”. Porque eu sei que te amo! Só não sei quem és…

3.3.08

Touch... Awaking my soul

O toque pode por vezes ser uma coisa terrível para mim. O calor, a sensação, não sei… Faz-me lembrar dias esquecidos de Verão que nunca hão-de voltar, faz-me lembrar aquilo que não tenho, faz-me lembrar a impossibilidade. Mas por vezes, por vezes, um abraço seria suficiente para reconstituir a minha vida, para dizer luta mais um bocado, pois talvez a batalha esteja quase ganha.
Á noite em sonho o Mundo é preto e frio, sou só eu agarrada a uma almofada, é só uma pequena rapariga que voltou à sua infância e está assustada agarrada àquilo que apenas são sonhos despedaçados e projectos impossíveis.
Sou apenas… um pedaço de uma jarra partida.

24.2.08

6.2.08

Not Some Cliché

Caiu no chão: a luta é demasiado difícil. A minha cara encostada ao chão de cimento sujo e frio, as minhas mãos e joelhos esfolados, as lágrimas pretas a caírem – parece cliché? Sim, cena habitual e ordinária da minha vida. Ponho-me de joelhos, imploro, a voz a falhar-me, por um momento de paz, por um momento de silêncio, mas a vida não me dá mais do que o escuro, o frio, a podridão, dá-me uma luta, que não quero, que não posso combater. Enrolo-me em mim fecho os olhos por dois segundos, mas a única coisa que consigo ver é uma grande fenda preta para onde estou a cair – não, não…! O meu cabelo, anteriormente brilhante e bem escovado, está desgrenhado, a cair, a tentar sair daquele inferno: talvez ele possa mas eu não.
Gatinho – uma mão depois a outra, um joelho depois o outro – as feridas a arderem-me infectadas pelas bactérias de que a minha vida é feita. Isto dói, mas ninguém vê isso, isto é tão insuportável, e o único motivo pelo qual ainda o faço é porque sou fútil, porque ainda espero por um nascer do sol, porque ainda espero que o adversário tenha piedade de mim… Será que isso é ser estúpido? Querer que as coisas fiquem bem é ser estúpido, querer ter uma vida…?

Algo choca contra as minhas costas – é ela outra vez – e pergunto “Quando vais ter misericórdia? Quando vais parar?”. Mas ela não se importa nem com as respostas que procuro, nem com a dor que tenho, nem com nada que não seja tentar matar-me. Nem ela sabe o quanto vai ser ajudada: sinceramente também não tenho vontade de viver. Não uma vida assim, não uma vida em que um carinho é um chicote em riste. Não… Eu sou mais do que isso, eu sei-o, e por isso a minha escolha é… Qual será mesmo?

Este É O Meu Derradeiro Pedido...

O dia estava lindo. Era dia seis de Fevereiro, nove e onze na manhã. Por muito que o sol brilhasse, por muito que eu quisesse, as cores não iam brilhar neste dia. Não iam, não podiam… Ainda continuo a pensar naquilo que me tem vindo a invadir os pensamentos toda a minha vida. O meu cabelo entrançado, a minha camisola sem mangas branca, a minha saia rosa – tudo isto é abafado por casacos e cachecóis, exigências rigorosas do Inverno, por isso eu disse, eu digo e continuo a dizer: neste dia as cores não vão brilhar, eu não vou brilhar, nem hoje e provavelmente nunca mais. É cansativo para algumas pessoas tentar tantas vezes e falhar em todas, é duro. A vida não foi feita para todos vivermos, e provavelmente para mim não foi. Provavelmente…? Não de certeza que não foi... E eu, eu já não aguento mais passar cada dia, passar cada hora com esta dor, que ninguém compreende, que ninguém vê. Eu não tenho ajuda possível, neste sítio, em qualquer sítio mesmo, não tenho ninguém que me tire estes casacos, estes cachecóis, para que possa brilhar. Hei-de estar sempre tapada, soterrada por baixo de tudo, no fim do Mundo, longe do Sol.
Por isso este é o meu derradeiro pedido: faz com que isto acabe, pois eu não gosto de viver, e certamente muito menos de tentar brilhar aos olhos de um sol que nem nunca se vai importar...

4.2.08

Dreams For Friends - more personal than it seams to be

Bodmin, 27 de Janeiro de 2003


Querida Meredith,
Como vais aí em Lisboa? Esta é a minha nova morada em Inglaterra. Teria muito gosto em que me viesses visitar e claro, ver a minha nova casa.
Pelos jardins eu passeio, na r
elva, em direcção ao lago. O meu vestido de algodão amarelo claro mexe-se levemente enquanto ando, levanto a aba do meu chapéu branco com um laço amarelo a tempo de ver o sol a começar a descer.
Hoje deitei os meus sapatos de balle
t velhos fora, só para que saibas. Pensei que gostasses de saber uma vez que sempre os adoraste – as maravilhosas sapatilhas de ponta renascença. Há quanto tempo esses tempos já foram não é? Sinto-me velha ao dizer isto mas o tempo passa a correr de facto.
Sei que vais ficar desapontada mas esta é provavelmente a última que escrevo. Não só cartas, mas qualquer outro tipo de textos pois como já estou farta de repetir encontrei os meus sonhos. Encontrei-os, fi-los acontecer, agora é altura de ficar por aqui, a tomar partido deles…
De qualquer maneira não te prendas a mim. Por esse mundo afora existem sonhos diferentes dos meus, vidas diferentes da minha. Por esse mundo afora existem coisas que tu nem imaginas, que eu nem imagino. Por esse mundo afora existem coisas que nunca ninguém viu, que nunca ninguém descobriu – mas com que toda a gente sonha.
Eu porém já não posso partir em busca de tais coisas. Eu já não posso partir mais pois estou presa, presa por correntes. O meu coração prende-me e as correntes, essas são os meus sonhos realizados.
Tu, tu sim deves ir, partir, correr em direcção a esse infinito. Deves voar até às nuvens mais altas, mergulhar nos oceanos mais profundos, correr por entre as ondas que morrem na praia. Tu sim deves dar a volta, girar à volta do Mundo, tu sim deves ver as coisas que eu nunca tive tempo de ver porque me deparei com estes sonhos.
Tu sim deves procurar quem és. Viaja, corre, grita, encontra-te. Não te prendas a futilidades, não te prendas a mim, não te prendas a ninguém, nem à Terra. Olha o sol todos os dias como se fosse a primeira vez, pois pode ser a última.
E só um conselho turístico: visita Londres. Talvez seja a inspiração de que precisas.
Agora fico-me por aqui, pensando ainda nas minhas próprias palavras, na linha entre a Terra e o pôr-do-sol. Talvez esta carta esteja a ser pessoal de mais, talvez não – decide tu, só sei que apesar de já ter os meus sonhos a única coisa em que consigo pensar é na minha morte.
Da sempre tua,

Catherine

Hallelujah...

Tears run down in my face. You finally appeared. I’ve been waiting for you; I’ve been waiting for you all along, since you’ve been gone, since you left me. My stupid red bow is still there, on my hair, in my ridiculously enlighten hair. My black t-shirt is the same, the same you once gave me on my birthday. I’ve been here all along, did you know? Waiting, wishing, hoping. I waited so long that I even thought I was dead, and maybe I am. The coldness of the winter or the heat of the summer has been nothing compared to the pain of not having you around, of thinking you were dead. You don’t even imagine, you will never imagine, because you are… you.
But now I’m done waiting, I’m done wishing, or hoping, or anything else that involves you. I’m done, and I’m leaving right now. I’ve only stick in this awful place just so you could see that I’m not like you, I keep my word. You didn’t… You said you would be here by eight on Tuesday and I waited five long years until you managed to appear.

1.2.08

Lightning Up The Darkness

Estou sentada na escuridão. Um feixe de luz entra pela pequena brecha da porta que ainda está aberta. As sombras fazem esta luz bruxulear dentro do quarto onde eu estou. Mas eu continuo sentada na escuridão como que esperando por algo, os olhos fixos no infinito e a mente a viajar no Universo.
Olho de vez em quando para a porta na esperança de que
alguém entre por ali. Mas quem? É que nem sei… Talvez alguém que saiba responder às minhas questões, que me leve a sítios que nem imagino, alguém que simplesmente me puxe para fora desta escuridão, ou que acabe com isto. Quero sair deste sitio onde estou sempre dentada na escuridão, a olhar sabe Deus para onde. Sabe Deus? Será que Deus sabe? Porque ultimamente ele não parece ouvir-me nem a mim nem a ninguém, pergunto-me se não terá ficado surdo, pois deixar-me assim aqui não é castigo é tortura, os meus olhos aguentam mais esta dor infernizante que os ataca a todos os momentos.
Preciso de alguém que venha e me tire deste sítio
, que me arranque como se me estivesse a levar para sítios que eu nunca imaginei, e que me fechasse os olhos para sempre, para que não doesse mais, para que não vivesse mais, nesta dor insubordinada que é a minha vida, aqui, na escuridão.

29.1.08

Maybe... Another day trying to uncover the truth

Alaska, 18 de Janeiro de 2005

Há montanhas, há céu, há natureza, … Aqui neste comboio em movimento há tudo quilo que eu quero. Há neve, há silêncio, há distância entre nós. Há tudo aquilo que preciso. Há até um pedaço de papel onde eu te estou a escrever a minha despedida apressada e sem brio. Talvez merecesses mais, talvez não, quem sabe, talvez eu seja louca e este sítio seja como qualquer outro. Mas talvez também tu estejas cego para ver a beleza. Talvez não percebas o mistério, as histórias, o amor deste sítio porque estás “demasiado” cego. Talvez seja por isso que insistes em discussões fúteis, talvez seja por isso que não me podes mais amar. Talvez se olhasses para estas montanhas, para aquele lago que se começa agora a ver, se ouvisses o som do comboio a andar, o estalido da minha caneta a escrever desenfreadamente, se sentisses este frio tão quente, esta harmonia tão presente, o ódio inexistente, talvez percebesses. Talvez soubesses, talvez voltasses a ver. Talvez… Talvez tantas coisas. Mas neste momento talvez seja melhor assim: eu aqui enrolada no meu cachecol bordo, encolhida no meu lugar almofadado, a observar coisas que tu nem imaginas, e tu, aí ignorante, a desperdiçar todos e cada um dos segundos que vives. Tudo de bom para ti e para o teu cabelo espetado e irritante. Sempre com amor, Meredith

26.1.08

Love Song

É doce a música. Toca vezes e vezes sem conta, adocica este ambiente sem dar por isso. É um doce traiçoeiro, só alguns o sabem, mas é. Falar de amor… Onde já se viu? Amor, o que é isso? Amor, o que significa isso? Quando te sussurro ao ouvido “Amo-te” tu nem dás por isso, finges que não ouves, afinal é mais fácil fugir do que ficar e lutar não é?
Um órgão toca nesta música. É uma música lenta e bonita, dá vontade de ficar a ouvir durante muito tempo, durante uma vida inteira, depender dela como se de oxigénio se tratasse… O problema é que traiçoeira, embala as pessoas neste ritmo confortável e se sem aviso pára… Se pára caímos num abismo escuro e frio, não sabemos o que fazer, parece que a única coisa que conhecemos na vida é a solidão e a tristeza.
É terrível… Quando esta música pára, ficamos de respiração cortada, no meio de uma estrada sem começo nem fim, por baixo de uma tempestade, ás voltas num furacão, sem norte… Quando esta música pára apetece-nos desaparecer, evaporar, morrer. Quando esta música pára eu subo os 15 andares de um prédio e olho para a rua que fica lá em baixo, movimentada, as pessoas a parecer formigas, e o som já nem se ouve, como se estivéssemos num mundo à parte, e atiro-me. E enquanto caio penso naquela música bela… Talvez quando chegar ao fim deste pesadelo eu a volte a ouvir, noutro mundo, noutra vida em que não me lembre de quando ela parou…

Love Letter

Quarta-feira, 17 de Junho de 1981



Se eu pudesse dizer-te mil palavras eu não conseguiria descrever o que sinto por ti. Não há mil palavras que descrevam isto. Não há qualquer palavra que algum dia explique o quanto eu sinto a tua falta. Não há… Sabes como isso me deixa desesperada? Todas as noites eu choro a pensar em ti, em nós, no que fizemos juntos, no que não fizemos. Nos nossos erros, actos ingenuamente e futilmente feitos por nós dos quais mais tarde nos arrependemos. Estas lágrimas não são em vão… Cada lágrima rasga um pedaço do meu coração, e a pouco e pouco vou morrendo.

Não sei o que te hei-de dizer mais para te convencer de que te amo, não sei o que fazer mais para te dizer exactamente o que sinto. Eu nem sequer sei quando voltas, se voltas… Lágrima por lágrima esta carta vai ficando manchada, mas já não vês borrões de tinta. Agora provavelmente vês manchas de sangue que caem do meu coração ferido.

Desculpa por tudo que disse, porque nunca tive a intenção de te ferir, e esta certamente é a minha última carta para ti. Estou à demasiado tempo a sofrer por alguém que não me responde, alguém que não me quer. Estou à demasiado tempo a querer-te para aceitar que já partiste. No meu intimo tu ainda estás aqui, perdido, mas aqui. E portanto esta será a última carta que te envio, pois para além de não poderes estar mais comigo, eu sei que estás algures no fundo desse Oceano, por cima de uma nuvem nesse céu, sempre ao meu lado por entre as árvores e os frutos de Verão que costumávamos roubar…


Com muito amor,


Lilian

25.1.08

Amo-te

Corro por entre os campos verdes cheios de flores campestres. Corro enquanto o céu observa, para deleite do sol. Corro assim, como se não houvesse um amanhã ou um depois, por léguas, milhas, … Corro.
As árvores observam-me desconfiadas,
mas o ar fresco de uma Primavera antecipada deixa-me correr. Corro para quê? Para te encontrar… Porque há coisas que o tempo leva, porque realmente de temos alguma coisa para fazer hoje não devemos fazer amanhã, pois pode não haver amanhã. Procuro-te. Desesperadamente, ansiosamente, nervosamente, procuro-te, na infelicidade dos meus sonhos, na confusão dos meus pensamentos.
Tenho que te dizer. Tenho que te encontrar e dizer, pois amanhã ou depois pode ser tarde demais, para mim ou para ti.

Amo-te, é tão difícil de entender…?

If...

Gostava de poder voar. Sabes, voar livremente…
Gostava de poder dar um passo, um passo que fosse totalmente meu.

Gostava de poder amar, amar verdadeiramente.

Gostava de poder chorar,
lágrimas puras e cristalinas em vez das gotas de água sem significado que me põem nos olhos.
Se eu apenas me pudesse libertar destas correntes… Destas correntes que me prendem a um Mundo no qual eu não quero estar.

Se eu ao menos pudesse ser eu, e não alguém que os outros querem, vêm em mim.

Se eu…

Talvez tudo fosse diferente.

22.1.08

Flores


Flores,
Frágeis e delicadas,

Futilmente criadas

Fazem-me sonhar

Com campos verdes de Primavera

Flores,
Ridiculamente plantadas
Como crianças inocentes irritantes,
Murcham à minha passagem
Como soldados numa guerra sem perdão

Flores,
repousavam inertes,
no teu funeral,
em coroas mortíferas
cheias de gritos silenciosos e prantos de perdão

21.1.08

The Blow Of The Wind

O meu cabelo preso com um laço vermelho começou a esvoaçar mal saí do comboio. Dei dois ou três passos para a frente: o mais provável era não sair mais ninguém pois tinha sido das últimas. Fiquei a olhar para a paisagem, depois para o comboio enquanto se afastava no horizonte, até deixar de o ver, e novamente para a paisagem.
Uma paisagem linda de montanhas verdes, campos de trigo dourado. Fiquei ali parada a olhar, a olhar como nunca antes tinha olhado para nada… Olhei e as horas passaram, os pensamentos passavam, as lágrimas caíam e secavam.
Estava já o sol a pôr-se quando voltei a mim: continuava no mesmo sítio, a dois ou três passos da linha de comboios, parada a olhar para a paisagem, a minha mala ao meu lado, o meu vestido branco de linho a esvoaçar, bem como o meu cabelo preso num laço vermelho. Foi nessa altura que alguém se aproximou de mim, pôs-se a meu lado e ficou parado assim como eu, e eu peguei em toda a minha coragem e finalmente mexi-me. Olhei para o lado, como quem não queria a coisa, e o que vi foi apenas um rapaz. Apenas um rapaz magricela de cabelo castanho espetado e uma camisa branca.
- Estás a ir ou a vir? – Perguntou
- Não sei… E tu? – Voltei a olhar o horizonte
- Estou a ir para onde o vento me levar – a brisa subitamente intensificara-se e a voz dele mal se ouvia – e o vento trouxe-me até ti…

Olhei para ele, mas… Onde estava? Desaparecera. Olhei à volta, desesperadamente, na ânsia de o encontrar, a brisa já quase que não se sentia…

Pensei mais uma vez nas suas palavras. Não o iria encontrar, afinal ele estava a viajar com o vento, e o vento já partira.

20.1.08

A Spider Web In My Memories

Posso tentar dizer-te um milhão de coisas, mas nenhuma pode explicar o que sinto por ti, o que senti, e provavelmente sempre vou sentir.
Tu, no teu mundo sem dares por mim, és uma pessoa normal, como qualquer outra. Então eu pergunto porquê tu? Porque é que foste tu que eu amei e odiei mais? Não sei, duvido que tu saibas, duvido que alguém saiba… Ás vezes, à noite, volto a lembrar-me de tudo pelo que passei, as músicas que marcaram esses momentos a palpitarem-me nos ouvidos, e a confusão desses tempos a invadir-me os pensamentos. Eu amei-te…! Porque é que não reparaste? Porque é que fizeste do resto da minha vida um inferno amoroso? Porquê…? Se calhar mereci, assim como mereci todas as outras coisas más que me aconteceram na vida, mas não merecia que depois de continuar em frente e te esquecer que as nossas músicas, que tu inclusive voltasses! Ou merecia? Não imaginas o quão difícil foi para mim reconstruir a minha vida depois de tu passares como um furacão, e hoje voltas como se até te agradasse arruiná-la, desfaze-la, … Desfizeste-me o coração o que queres mais agora…?!


P.S. - Há coisas que não são o que parecem

18.1.08

On the shore...

Á beira-mar procuro-te. Corro, os meus pés a tocarem na água fria do oceano, e desenfreadamente procuro-te.

Escondeste-te de mim e agora não te vejo. Desapareceste com a brisa e agora não consigo respirar. Ao início não me importei, mas agora que já está quase a escurecer, tenho que te encontrar.

Ao longe o sol funde-se com o mar no horizonte, mas eu ainda não te encontrei. Será que te vou encontrar a tempo? As lágrimas refrescam a minha cara quente do pânico.

Onde estás, onde? Preciso de ti! Desapareces-te de repente e tantas, tantas coisas ficaram por dizer. Coisas que em tempos passados não fazia sentido, nem me apetecia dizer-te, mas agora… Será que vou voltar a ver-te, para te poder dizer que te amo?

O meu vestido branco, manchado da água do mar, esvoaça agora ao vento, parei. A brisa voltou, mas tu não. Já não vale a pena, estou parada e tu não vais voltar.

17.1.08

A Fallen "Hoshi"

A noite é de um tom azul-escuro incrível. Um azul-escuro que não deixa ver mais nada. Deitada no chão olho para o céu azul da noite, manchado de nuvens cinzentas aqui e ali.

Fecho os olhos e tudo o que vejo é um corredor, branco e estéril, um cheiro fétido paira no ar. Eu conheço bem este sítio. Ás vezes desejava não conhecer, mas faz literalmente parte de toda a minha vida.

Olho à minha volta, tudo parece um sonho neste corredor. Um sonho inacabado, como uma história que tem uma página em branco, mas este sonho, este tem a página mais negra da história para muitos.

Abro os olhos e volto a fechar permitindo que uma pequena lágrima solitária caísse. São sítios como este que me lembram de certas histórias, de certas pessoas e momentos. São sítios como este que me lembram do que vou contar…

Conheci em tempos uma pequena rapariga chamada Hoshiko Yukimura, que vivia na ilha Hokkaidō no Japão, mais especificamente em Nemuro perto do Lago Furen. Quando a vi pela primeira vez nunca pensei que o seu passado tivesse sido tão obscuro e estranho, pois ela parecia a pessoa mais feliz enquanto patinava naquele lago. Era o pico do Inverno, estava um frio cortante que tornava difícil a respiração, e eu simplesmente sentei-me na neve a observar todo o ambiente e principalmente aquela rapariga misteriosa que cuja aura parecia querer transmitir algo enquanto patinava ali, sozinha, a contrariar as ameaças do frio…

Hoshiko nascera em 1855 antes da Restauração Meiji e como tal nada impedira a sua mãe de a vender a uma das casas de chá da localidade para ganhar dinheiro. Ninguém diria que uma “estrela” como Hoshiko teria como futuro ser uma gueixa, deitando por terra todos os seus sonhos e esperanças. Depois de sofrer durante anos e anos tanto como maiko como mais tarde como gueixa, o seu “danna” decidiu que Hoshiko não preenchia os seus requisitos e abandonou-a, numa rua da grande cidade da ilha: Sapporo.

Hoshiko começava mesmo a acreditar que ela não era ninguém no mundo, que ninguém nunca tinha realmente reparado nela, que de facto ninguém a amava e que nunca viria a amar. Ela começou a viver na rua, vivendo do que por vezes roubava, sendo ainda muitas vezes repreendida tanto pela policia local como mesmo pela sociedade restrita e conservadora que acreditava que a rua, as danças eróticas e o roubo por uma menina daquela idade era uma aberração.

Há noite refugiava-se perto das condutas de ar dos restaurantes, que a mantinham mais ou menos quente e aconchegada naquele que parecia ser o Inverno mais longo da sua vida. Passava as suas noites a chorar, a sentir-se rejeitada pelo mundo e a chorar novamente, até adormecer, no silêncio da sua vida, um silêncio tão grande que era capaz de calar o som ruidoso dos carros que passavam na rua, e das pessoas que saltitavam para um lado e para o outro na noite.

Hoshiko era uma pequena estrela caída e suja, da qual todos fugiam com quantas forças tinham. Ela parecia uma aberração aos olhos de um comum cidadão, e definitivamente era uma terrível maldição para os supersticiosos: quem se aproximasse dela seria azarado para o resto da vida. Porém se alguém se desse ao trabalho de olhar bem para os olhos de Hoshiko, veria o seu brilho, as sombras de sonhos à espera de ser concretizados, de expectativas quebradas, de projectos arquitectados, e saberiam que ela não era só feita de contradições, maldições e anormalidades.

E os dias passavam-se assim: roubo, refugio, choro, roubo, refugio, choro, roubo, refugio, choro,... Numa rotina ininterrupta, cansativa e triste para Hoshiko.

Um dia, contudo, essa rotina foi quebrada pela chegada de um rapaz, pouco mais velho que ela, que utilizava pequenos bonecos para fazer um teatro de marionetas para crianças. Ele também como ela não tinha um sitio para viver, e em contrapartida demasiados sonhos para concretizar.

Então Hoshiko passou a incluir na sua rotina uma breve passagem diária pelo teatro de Kaito, que aos poucos se tornava mais famoso. Um dia, depois de muitos passados a admirar os movimentos daqueles pequenos bonecos, Hoshiko finalmente decidiu falar com Kaito, descobrindo que este procurava uma rapariga que voava e guardava o céu. Então ambos fizeram um pacto: ficariam juntos, lutariam pelos seus sonhos e objectivos juntos, mas teriam que se ajudar um ao outro.

Hoshiko finalmente começava a sentir que alguém a amava, que alguém se preocupava. Finalmente toda a vida parecia ter sentido, até quando dormia os sonhos mostravam-lhe sítios mais iluminados e cheios de esperança. Ela via o céu em sonhos, as nuvens, sentia a brisa cheia de amor para lhe dar e o Inverno dera lugar a uma Primavera linda. A vida estava a mudar! E passaram-se dias, semanas, até completar um mês desta maravilhosa sensação… Mas claro nem tinha sentido que Hoshiko tivesse um final tão bom, não é? Não numa história de vida, numa história em que existem coisas reais, sentimentos reais, …

Um dia, passado um mês e uma semana segundo as rigorosas contas da pequena estrela, Kaito havia desaparecido. Desaparecido… E por muito que procurasse não o encontrava e na sua opinião havia apenas uma razão para isso acontecer: Kaito abandonara-a. Abandonara-a assim como a sua mãe e o seu danna. Assim como o mundo, a vida e os sonhos haviam feito, Kaito abandonara-a. E nem ela ainda se tinha apercebido que havia sido para sempre…

Hoshiko caiu de joelhos no chão, as lágrimas a correrem-lhe e aquele momento pareceu-lhe uma eternidade. A única coisa que se lembra depois desse momento é de acordar numa cama de hospital com uma doença que aparentemente ninguém conhece, e que consequentemente não tem cura. Irónico, não?

Foi essa a segunda vez que me encontrei com Hoshiko. E foi quando ela me contou a sua história.

Ela era uma pequena rapariga, apesar da sua idade ela ainda parecia uma criança, os seus olhos reflectindo a sua esperança fútil. Ela era um anjo estendido naquela cama de onde me contava a sua história.

Um anjo de asas partidas, que mesmo de momentos depois de a vida ter desaparecido dos seus olhos, o brilho lá continuava, transmitindo esperança a mim e a quem quer que se importasse, e ignorando totalmente o facto de que Kaito nunca a abandonara, apenas morrera…

Recordações de um blog

Eu ainda me lembro do primeiro blog que tive, das postagens estúpidas e fúteis de uma rapariga que não sabia bem o que queria.
Hoje passados uns três anos, já tive dezenas de blogs, e nenhum vingou tão bem como este, nem durante tanto tempo como o meu outro blog
: http://once-upon-a-time-kmb.blogspot.com/
Apenas há algumas em comum com a rapariga que escreveu o seu primeiro post no seu primeiro blog: a tendência negativa na vida, mas principalmente o amor que se sempre tive á escrita. Sempre amei escrever, fosse sobre o que fosse, gostava de pegar num caderno a cheirar a novo e numa caneta e fazer as palavras flutuar, folha após folha. Depois descobri o computador, mas sinceramente, as teclas nunca conseguiram substituir o lugar da caneta no meu coração.
Agora apenas quero agradecer aos poucos que já leram este meu blog e que comentaram e espero que o número cresça...^^

One Year, Six Months (Based on Yellowcard Music)

Um ano e seis meses?! Não foi o dobro. Mas parece que foi muito mais do que isso. Parece que foram 100 anos sem ti, sem poder falar contigo. Porquê? Não sei. Talvez por ser a ironia do destino. Talvez seja só a minha má sorte. Porque é que quando começamos a afeiçoar-nos realmente a alguém essa pessoa simplesmente... desaparece? Para não dizer morre, pois isso é um facto que nunca hei-de aceitar. Pois no meu quarto perduram as tuas fotos, na minha mente perduram as boas recordações contigo e por todo o lado se vêem as coisas que te dava, escrevia, ou quando era pequena desenhava. Uma só pergunta não me sai da cabeça... Quando voltas?!

Caminhos

Caminhos...

Levam-nos a sitíos, conhecidos, desconhecidos...
Não interessa, são caminhos
E ninguém nunca os irá mudar
Pois são eles que mudam as pessoas

São destinos
Marcados na terra desde sempre
Eles conduzem-nos e confudem-nos
Mas sem eles nada seria possível

E todos têm o seu, inevitavelmente ele está lá e nunca nos vai abandonar...

A vida é um caminho e ninguém o irá mudar

Hopes & Dreams

(...) Acordei. Porquê? Porque é que não passa sempre tudo de um sonho?... Talvez... Talvez seja porque os nossos sonhos reflectem os nossos desejos e objectivos mais importantes, mais desesperados, aqueles que estão à espera de ser concretizados... (...)

Way Away

Á noite em sonhos, penso em ti... Penso nas saudades que tenho de ti, porque foste e nunca mais voltaste? Porque se aproxima cada vez mais essa verdade inevitável de mim? Tenho saudades de como me sentia quando estava contigo, tenho simplesmente saudades das nossas conversas, dos momentos em que éramos inocentes... Ignorantes do futuro que se aproximava... E agora? Agora o que podemos fazer, quando tudo acaba o que podemos fazer? Parece-me simples a resposta. Nada. Mas nunca a hei-de aceitar, pois enquanto na recordação viver a memória de um passado distante eu nunca, nunca hei-de esquecer o que fizeste por mim, o que foste para mim…

Navegue - in Deborah's Blog (Pandora)

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu. As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave! Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for. Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso. Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam. Olhe para o lado, alguém precisa de você. Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também. Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura. Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o!

"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".



[Fernando Pessoa]





in http://www.debirinha.weblogger.terra.com.br/index.htm

16.1.08

Start Overs

Lisboa, 30 de Janeiro de 2007

Sinto-me como se tivesse perdido uma parte da minha vida.

Olho pela janela e um pôr-do-sol belíssimo, meio escondido pelas escuras nuvens, estende-se pelo céu e por cima de Monsanto.

Pequenos pontos de luz sobressaem da enorme massa verde fazendo tudo parecer mais estranho ainda.

As árvores desprovidas de quaisquer folhas fazem-me lembrar o que há tempos já vivi e não quero voltar a viver.

Quero recomeçar.

Não acredito em recomeços totais, afinal nós nunca esquecemos o passado e ele impregna os momentos do futuro com memórias. Mas talvez, se tentarmos… Podemos tentar mudar quem somos agora, mudar a nossa atitude, mudar a cor do quarto, conhecer novas pessoas, fazer novas coisas, ir a sítios diferentes, … Tantas coisas que podemos fazer… Por isso, e porque não quero estragar mais um ano, quero recomeçar.

Quero poder ser como uma ave livre que voa e toca o céu, como uma pequena gota de água que viaja o Mundo pelo Oceano. Quero ser como uma árvore que todos os anos renova as suas folhas, tornando-se maior e mais forte.

Eu quero acreditar que recomeços existem, porque se eu não recomeçar a minha vida agora não sei o que vou fazer no futuro. Hoje sinto-me perdida, e não sei se me vou conseguir encontrar, percebes? Hoje sai de casa, entrei nos portões daquela escola, e não sabia se era exactamente ali que queria estar… Tenho os meus amigos, mas as pessoas já me conhecem, assim, como eu sou todos os dias… Mas, e se eu já não quiser ser mais essa pessoa?...

Marta's Poem

Lembro-me de ti
Como eras antes
Lápis na mão
Olhos distantes

Cheiro a carvão
Dos desenhos perfeitos
Borracha na mão
Dos teus desejos

Desejos de seres
Mais e melhor
O grande pintor
Um grande herói

Cabelos claros
Sonhos gigantes
Apenas tinhas medo
De linhas errantes

Hoje, mudado
Não me dizes nada
Sinto saudades
Fazes-me falta

Sinto saudades
Da tua presença
Das tuas piadas, da tua loucura
De comentários mandados, das ideias
Revolucionárias da tua crença

Hoje mudado
Já percebi
És um amor do passado
Que eu já perdi

Marta Reis

15.1.08

Hi Heaven - here's a letter for you

1 de Janeiro de 2008

Céu,

Ouviste? O mundo está a desmoronar-se, a partir-se em dois. E eu estou exactamente no ponto de origem, no meio da racha. A minha vida: não diria que não presta, porque poderia ser muito pior mas… Odeio viver assim, sabes?!

Enjoa-me. Faz-me chorar a toda a hora. Porque eu sinto-me inútil, e sinto como se o meu cérebro vai parar a qualquer minuto, porque tem pouco amor e uso.

Eu quero que sintas o meu coração bater nesta carta. A bater rápido com o medo ou tão devagar que parece que vai parar a qualquer minuto. Eu quero que te apercebas que mesmo que estejas sempre calmo e que distribuas paz entre nós, nem todos estamos bem debaixo de ti… Eu sei que todos os dias nos dás um nascer do sol, um pôr-do-sol e um manto negro, estrelado ou não, com uma grande estrela para nos guiar, mas isso não significa que realmente o apreciemos todos os dias, ou que nos guiemos por apenas uma estrela aí em cima.

De facto nós somos guiados por dezenas de outras estrelas, que dificilmente veremos aí em cima. É claro que me refiro aos sonhos, e os meus provavelmente já caíram para dentro desta racha que se abriu no mundo… Mas o que posso fazer agora?

Apenas continuar a lutar por estes sonhos quase perdidos para lugares longínquos e continuar a escrever: para ti e para quem quer que tenha encontrado os meus sonhos do outro lado do mundo.

Sinceramente,

A tua mais fiel habitante de cá de baixo


English and Original Version: http://heavenstories.wordpress.com/2008/01/02/letter-to-heaven/




The Phoenix Lament

Somewhere out in the darkness, a phoenix was singing in a way Harry had never heard before: a stricken lament of terrible beauty. And Harry felt, as he had felt about phoenix song before, that the music was inside him, not without: it was his own grief turned magically to song that echoed across the grounds and through the castle windows.

Harry Potter and the Half-Blood Prince, 1st Edition, J.K. Rowling
***

Ao longe, na escuridão, uma Fénix cantava como Harry nunca ouvira: um lamento magoado de uma extrema beleza. E Harry sentiu, como já sucedera em relação ao canto da Fénix, que a música vinha o seu âmago e não do exterior: era a sua própria dor que, transformada magicamente em ária, ecoava pelos jardins e entrava pelas janelas do castelo.

Harry Potter e o Princípe Misterioso, 1ªEdição, J.K. Rowling, tradução por Isabel Nunes (entre outros)


Meredith:
Na minha opinião em inglês fica mais... mágico, mas pus também a tradução para português.

14.1.08

Hey There Delilah (Based on Plain White T's Music)

16 De Abril De 2006

Delilah,

Como vai Nova Iorque?

Passo mentalmente em revista aqueles momentos que passámos juntos: os longos passeios, conversas, e até a nossa árvore, aquela solitária das folhas eternamente acastanhadas, no cimo do monte.

Quem diria que tu terias que ir para Nova Iorque, que terias de partir…?

Parece que já passaram dezenas de anos desde que te foste embora, mas apenas passaram uns dias, e a única coisa em que consigo pensar é em ti.

Lembras-te daquele último dia em que estivemos juntos, atrás daquele prédio? Lembras-te de como jurámos que estaríamos sempre juntos, acontecesse o que acontecesse?

Acho que nessa altura não tinha bem a noção de que estavas mesmo a ir-te embora e que tão depressa não voltaria a ver-te ou tocar-te.

Realmente nunca pensei que fosse possível partires, pois tens estado sempre ao meu lado, deixando-me viver este sonho infantil.

Quando voltas? Quando…? Tantas coisas que ficaram por dizer…

Lembras-te de quando éramos mais novos, e tão fúteis, e eu agarrava a tua mão fria para não te sentires tão sozinha na escuridão? Lembras-te dos longos passeios à beira-mar e da primeira vez que nos beijámos?

Espero que ainda te lembres… porque eu, eu tenho a minha memória repleta de memórias como esta, em que tu estás ao meu lado… Agora, sem ti aqui, o meu coração bate mais lentamente, com menos força, sempre na expectativa de que apareças.

Com muito amor,

De mim

13.1.08

Noite na cidade - Uma invasão de pensamentos

É noite na cidade. É uma noite escura e fria, em que todos se recolheram nas suas casas, menos eu. Eu ando lentamente pelas ruas desta cidade inspirando o ar frio da noite, cortante, um frio que explicava muito do que eu sentia.

Não posso ir para casa. Parei, no meio daquela rua, com o frio, com tudo, e este pensamento invadiu-me a mente. Não posso voltar para casa, não posso. É tarde demais… É tarde demais para voltar atrás, com as coisas que dissemos e fizemos. Há certas coisas que depois de ditas não se podem retirar, há certas coisas assim, e ao início podemos não saber bem o que são, mas com o tempo aprendemos.

Vou partir, foi então a minha decisão. Vou partir, para longe, certamente, para um sítio tão longe em que as memórias não me poderão perseguir. Um sítio onde se acredite em recomeços, pois para além de eu não acreditar, preciso de um.

Estou a ouvir a mesma música há quase duas horas. É uma música que combina perfeitamente com o tempo, comigo, com o que aconteceu. É uma música despedaçada, assim como eu estou. Despedaçada com as memórias de algo com que não consigo viver…

Eu preciso de sair daqui. Eu preciso que este frio pare de uma vez por todas. Eu preciso de me despir de todas estas memórias que estão a condicionar este momento. Eu preciso de cortar as correntes que prendem a minha boca, porque não quero mais destes tabus na minha vida. Eu preciso de recomeçar. Longe. Onde não me encontrem, onde eu possa ser feliz. Vou emigrar, como uma ave faria quando o clima é desagradável. Eu preciso… e de qualquer maneira é inevitável. Os meus pulmões estão tão pesados com o chumbo que paira no ar que eu, eu já não consigo respirar mais. O meu coração está tão apodrecido que eu duvido que ele volte a bater. Mas se eu continuo a respirar, se o meu coração continua a bater, isso deve significar alguma coisa. Deve significar que esta é a minha segunda oportunidade, para sair deste sítio, onde, para começar, nunca deveria ter estado.

Caminho na escuridão

No escuro todas as coisas se tornam diferentes. Os amigos parecem inimigos, o frio invade-nos com mais facilidade, o amor desvanece-se mais rapidamente…
Agora aqui na completa penumbra eu pergunto-me se conseguirei alguma vez sair daqui, se conseguirei superar tudo aquilo que o futuro trará enquanto tento superar ainda o passado. As lágrimas rolam-me pela cara, correndo em direcção ao chão, sem se preocupar com o que ficou para trás. Porque não consigo eu ser assim? Porque é que não co
nsigo ser apenas mais uma gota no oceano? Porque é que tinha de pensar sempre de maneira diferente? Será que foi o passado que influenciou? Será que foi a opressão? A depressão…? As águas calmas do Oceano perdem-se de vista no horizonte. Sonho que talvez do outro lado deste oceano haja um mundo melhor, uma vida melhor, quem sabe…

Viro-me para trás. Apenas vejo um corredor escuro, sem fim, mas com tantos obstáculos…! Tenho até medo de dar um passo para trás pois posso cair. A minha única opção é entrar por esta porta que se abre à minha frente. Porém o caminho em frente aparenta-se tão sombrio como o que ficou para trás. Já não sei o que fazer… E acho que nem nunca soube. Apenas me guiei por falsas esperanças, trilhos inexistentes, portas invisíveis, sonhos de outrem. Porquê? Porque eu sou assim. Porque ainda acredito no melhor das pessoas, no brilho das estrelas, num baile de debutantes, porque no fundo, no fundo, ainda quero ser fútil e não acreditar na vida real.

12.1.08

Para ti... (Espero que te toque de alguma maneira)

Quem me dera poder pegar numa borracha e apagar todas as mágoas e ressentimentos, mas tu não deixas. Quanto mais eles tentam desaparecer mais tu os fazes rejuvenescer. Ás vezes pergunto-me se algum dia aprenderei a ser feliz, porque até agora ainda não o fui e não vejo felicidade no meu futuro… Já viste o que fizeste? Não sei porquê mas tu arruinaste a minha vida como um castelo de areia, roubaste a felicidade alheia e porquê? Não tenho respostas para as minhas perguntas e acho que nunca vou ter, pois há coisas que só o tempo sabe responder.
Penso nos dias que passei a tentar encontrar uma solução para os nossos problemas. Tudo o que encontrei foi mais um motivo para chorar. Será que um dia vou conseguir esquecer tudo o que me fizeste? Sinceramente duvido. Abres feridas maiores do que o que devias e há noite em sonhos continuo a pensar se poderia ser feliz.
Receio o futuro, mais do que receio o passado, pois do passado sei que tu estás lá, no futuro estarás? Não sei. Espero que não, mas Deus não me vai livrar de ti de certeza. O futuro que me deste ainda não o conheço mas com a vida que levei até agora não quero saber o que ele me reserva nunca mais. É triste.
As coisas podiam ter sido tão diferentes entre nós… Ainda me lembro de quando tudo começou. Como é que não reparaste que aquilo era como uma droga que nunca mais teria um fim? Como é que não reparaste naquilo em que nos estávamos a tornar?
Então será justo dizer que te odeio? A maior parte das pessoas diz que eu estou a ser ingrata. Tudo bem eu não digo mais isso (até porque me proíbes) mas nunca ninguém vai mudar aquilo que eu penso.

Dear Flower...

Floresta Negra, 23 de Fevereiro de 1998

Querida flor,

Como tens passado? Espero que estejas linda como sempre. Infelizmente não posso dizer o mesmo…
A cada passo que dou, a cada inspiração e expiração, a cada batimento cardíaco, me sinto mais frio, mais perdido… Já não sei o que hei-de fazer mais, já não sei para que lado me virar.
A minha vida está mais confusa do que nunca, virada ao contrário, remexida como se fosse uma casa assaltada.
Acreditas que as coisas mais fáceis de fazer antigamente são as mais difíceis de fazer hoje em dia, como respirar? Simplesmente ás vezes paro e pergunto-me: “ Qual é o objectivo? Estou a fazer isto por algum motivo?” e ao contrário do que possas pensar, e sei que terias muitas respostas para estas perguntas, eu já não tenho respostas, e também não as consigo encontrar.
Estou demasiadamente embrenhado na floresta, demasiadamente entranhado nas profundezas do oceano para as conseguir encontrar, para conseguir voltar a viver como dantes. Para a voltar a viver, mesmo no sentido da frase, pois não posso chamar a isto vida: dias sem fim, onde o meu objectivo é tentar sobreviver à próxima hora sem deixar o vento demover-me. A minha vida não tem um fim definido, a não ser o próprio fim, aquele que independentemente dos nossos objectivos ou vidas todos temos, como bons mortais que somos: a morte. E por muito que nos tentemos convencer há certas coisas que não existem na vida. Por exemplo, o amor ou a amizade. Tais coisas não existem nem nunca existiram, é apenas uma invenção de alguém, talvez de uma pessoa, para tornar a vida mais bela e interessante, e nós fúteis, inocentes, esperançosos, fazemos os possíveis por ter amigos, pessoas que nos amam, quando tais coisas nunca acontecem. Eu pergunto-me o que acontecerá quando chegarem todos à minha conclusão, o que sucederá? Vão todos sentir um frio tão grande, como eu sinto neste momento, vão sentir que a vida não tem um fim, mas talvez então o amor passe a existir, já que todos sentiremos falta de calor e de uma razão para viver, quem sabe? Mas quando chegassem as novas gerações elas não saberiam o que o amor e a amizade verdadeiramente são, o que nos levaria de volta ao ponto inicial. Oh! Talvez não valha a pena, de qualquer maneira… Todos nós sempre seremos mais felizes, mesmo que a nossa felicidade seja apenas uma ilusão.
Enfim, apenas escrevi para me despedir e explicar as minhas razões. Afinal se a minha vida não tem um objectivo, não tem um fim, porque não dar-lhe o próprio fim?
Adeus minha flor, sabes que sempre serás a minha correspondente aqui ou noutra dimensão qualquer.

Sinceramente do teu,
Arbusto

Why Do I Love You? ...

Porque é que eu te amo? Eu pergunto-me vezes e vezes sem conta, mas ainda não consegui chegar a uma conclusão plausível. Porque é que eu te amo se tu me abandonaste, se me deixaste sonhar, na expectativa de que voltarias? Porque é que eu te amo se contigo todos os dias são uma manhã fria e sombria?
Eu pergunto-me… porquê?
Porque é que não ouves os meus gritos silenciosos, pedindo-te que acabes com isto? Porque eu não posso acabar… Eu amo-te. Um amor que não desaparece com a chuva fria ou o vento irascível, mas que perdura.

Talvez um dia, acordes e te apercebas que o meu coração já não bate mais por ti, parou, e que eu estou ao teu lado imóvel com um coração parado.

9.1.08

Homenagem a Ti

Se pudesse dizer uma palavra que te descreve-se diria sonhadora. És a pessoa mais maravilhosa que conheci. Não pela beleza, pela inteligência ou pela popularidade, mas simplesmente pela complexidade das coisas em que pensas, da maneira como pensas e principalmente do que já viveste. Gosto de ti também por saber o que desejas e o que temes, por saber como ás vezes estás realmente mal e fazes coisas que mais ninguém faria por ti… É espectacular saber que ninguém te conhece melhor do que eu e que partilhas tudo comigo. Sei que não és perfeita, ninguém o é, mas sabes perfeitamente o que queres e o que penas, não roubas a personalidade alheia, não dizes mal nas costas sem a outra pessoa saber o que pensas. Tens a perfeita noção do que se passa á tua volta, e de quais são os limites. Se pudesse escolher alguém para descrever o que sinto neste momento eu escolhia-te a ti, pois mais ninguém o conseguiria descrever. Existe uma conexão especial entre nós sem dúvida, mas isso há-de sempre acontecer, não é? Bem espero que sim! Amo-te muito!

A Pequena Flor Da Amizade

Apetece-me chorar, sabes? Quando vejo o sol, quando olho o pequeno monte verde, tão imponente, tão resistente e contudo ninguém nota que ele ali está. Quem te fez mal pequenino? Porque ninguém se preocupa contigo, lindo? Oh Meu Deus! Por favor ajuda-o! Até o sol escurece de tamanha tristeza. É horrível ver o que te fazem… Não mereces! És o meu melhor amigo, e vou te proteger para o fim da minha vida! Por muito mal que estejas, por muito encoberto que estejas, eu estou aqui e vou te ajudar!

Porque é isso que os amigos fazem. Eles impõem-se perante todos os inimigos, por mais poderosos que sejam para salvar a pequena flor que nasceu… A Amizade.

Aquela pequena flor que floresceu, pequena, frágil, e que o sol e a água ajudaram a fortalecer, e que agora perante o vento furioso já não padece. Aquela pequena flor, amarela, que parece brilhar quando cresce, quando está feliz. Oh… Como eu gosto dessa flor. É a mais bela que algum dia vi, a mais suave que alguma vez toquei… Tem o perfume mais hipnotizante e doce que já alguma vez cheirei. Mas quando essa flor murcha é a coisa mais triste que se pode sentir. É um frio cortante, é uma tristeza pura, ver murchar aquela flor pequena que tanto custou a criar. É uma vida que se perde, é o início do fim. E se essa flor murchar alguma vez, será horrível. O brilho, a alegria, o perfume… Tudo isso acabará e no seu lugar apenas virá miséria, temor, tristeza e morte, pois matar a amizade é o crime mais horrível que alguma vez se viu. É algo indescritível, que deveria ser evitado. Mas a flor que nos une nunca, nunca irá murchar, porque sem o meu pequeno monte eu sou menos que vento, sou menos que o vazio… Sou uma sombra de uma vida, um espectro que não sabe como abandonar a Terra de vez, e que apenas sabe como arruinar vidas belas e alegres. Mas isso não acontecerá, eu prometo. Eu hei-de proteger-te até partir para uma terra distante de onde ninguém consegue voltar. Mas nessa altura tu, meu pequeno monte, hás-de perceber o significado de toda uma vida, uma pequena vida que mora dentro de uma pequena e inocente flor. E aí a nossa flor há-de crescer, crescer e tornar-se na maior que tu alguma vez viste.

5.1.08

O Cisne - A História Profunda de Uma Vida Desconhecida

E lá existia um lago, um pequeno e belo lago com um elegante cisne branco, que passava os seus dias e noites nadando no lago, solitário e triste. Este lindo cisne acreditava que um dia poderia sair daquele sítio e poder conhecer outros sítios, outros cisnes como ele… Ele desejava poder viver a sua vida como queria. Mas não podia. Isso era um facto inevitável. Porém tinha alguns amigos naquelas redondezas e tinha as estrelas que o fitavam durante toda a noite murmurando frases de esperança que o faziam viver a vida com um pouco mais de alegria. Mas ele sempre se perguntava se algum dia conseguiria sair, ou se tudo aquilo que sonhava e que as estrelas lhe prometiam não seria apenas uma promessa enganadora para continuar a viver, será que valeria a pena continuar uma vez que tinha sido tudo tão mau até esse momento? Será que valeria a pena ter esperança no futuro, que o futuro realmente traria alegria, ou seria mais um futuro tão mau como tudo aquilo que já tinha acontecido?
Ele passava muito tempo rodeando o lago e perguntando-se a si mesmo o que aconteceria, mas ainda não tinha nenhuma ideia. Também ninguém sabia responder aquelas perguntas tão preocupantes para ele… Ele desesperava ali naquele pequeno círculo de água, e cada vez estava mais triste, mais sem vontade de viver. Se alguém lhe perguntasse o que preferia continuar a viver assim ou desistir da sua vida para sempre, ele sem dúvida desistiria. Mas quando tudo parecia estar perdido uma pequena luz se acendeu no meio daquela tenebrosa escuridão.
Um pequeno passarinho trouxe a boa nova de que talvez os senhores da quinta tivessem que vender aquela casa para comprar uma mais perto da cidade, e por isso também ele teria que ser vendido. O humilde cisne não se conteve de alegria. Era tão mais feliz agora, passava os seus dias a olhar para a natureza á sua volta e a pensar em como era bela e magnífica.
Duas semanas mais tarde, ou assim o pareceu para o jovem cisne sonhador, o mesmo pequeno passarinho voltou. Ele informou-o que os senhores já não iriam vender a quinta. O mundo pareceu desabar á sua volta, mais do que nunca ele sentia-se desamparado e sem saber o que fazer… O que é que ainda lhe iria acontecer mais? Ele estava tão deprimido, tão desesperado… Sentia-se perdido no meio de tudo aquilo. Ele não aguentava mais, não… Alguma coisa ia mudar, e por isso o pequeno cisne fez a decisão mais radical de toda a sua vida. Ele simplesmente deixou de se importar com tudo o que o rodeava, e uma bela noite em que as estrelas brilhavam como minúsculos diamantes, o cisne sentiu a sua alma abandonar o corpo, lentamente, enquanto as estrelas se tornavam cada vez maiores… O cisne, agora mais branco que nunca, ali jazeu naquele lago, onde as estrelas reflectiam a sua luz, para o deixar repousar em paz para sempre.

Written in April 10th 2007

4.1.08

Uma viagem na escuridão

O que eu não dava às vezes só para estar contigo? Só para te ver, para te falar... Ás vezes na escuridão da noite, na inocência dos meus pensamentos eu lembro-me de ti como uma das pessoas que mais se preocupou comigo... Como um melhor amigo que nunca tive, és a melhor coisa que me podia ter acontecido.
E quando me pedes para não partir só me apetece ficar contigo para sempre... Para ti são estas palavras, porque sem ti eu estou perdida na imensidão do nunca... E neste momento sinto-me perdida, porque partiste. E nunca mais voltaste...

Segunda-feira, 26 de Março de 2007

It's pouring

Acabei de ligar as luzes em toda a casa. Está a começar a ficar escuro. Do outro lado da janela a chuva começa a bater com uma tal intensidade que se torna impossível ouvir a televisão que se encontra ligada a escassos metros. Ao olhar para fora da janela reparo que as luzes da escola ainda estão ligadas…

Por fim decido-me a desligar o som da televisão e a apenas ouvir a chuva.

É incrível. A chuva. É também incrível como algumas pessoas amaldiçoam a chuva. A chuva faz parte da minha essência e porém oiço pessoas todos os dias a difamarem-na, a dizerem mesmo que a odeiam! E eu pergunto: como é possível odiar a chuva?

Haveria então pessoas que diriam que eu também odeio outras coisas, como pessoas, e que talvez isso seja pior que odiar a chuva, porque aliás, e agora estou a citar uma pessoa que odeia a chuva, a chuva estraga o cabelo. Eu diria mesmo que este é um bom ponto de vista, contudo as pessoas são mais fáceis de odiar. Algumas fazem coisas, que nos magoam, e no dia seguinte voltam como se nada se passasse. A chuva não. A chuva só nos visita de vez em quando, e principalmente quando menos a queríamos, no Inverno, e isso pode-nos levar a não simpatizar com ela. Mas a chuva sempre volta de vez em quando e tenta começar de novo. Ela lava as nossas memórias negativas e os nossos projectos vingativos. Ela repõe esperanças. Ela cria vidas. Ela traz mudança. Porque sempre que a chuva aparece isso significa que toda aquela “poeira” que estava a assentar nas nossas vidas vai ser lavada e vai ficar a brilhar novamente.

A chuva é aquilo a que eu gosto de chamar uma segunda oportunidade. E quantas vezes nós não pedimos por segundas oportunidades…

Eu também sei que toda esta conversa sobre a chuva e a mudança e as “segundas oportunidades”, não vai mudar nada do que eu já fiz e disse, mas pode marcar a diferença. Porque eu também já fui uma dessas pessoas ignorantes que odiava a chuva…